São Paulo – O reitor da Universidade de São Paulo (USP) Carlos Gilberto Carlotti Junior negou que a instituição tenha tido a intenção de perseguir os estudantes grevistas ao manter o calendário do ano letivo inalterado.
“Esta Reitoria busca a retomada da normalidade da vida acadêmica e não tem intenção de promover perseguição e retaliação de qualquer natureza”, disse o reitor em nota à imprensa nesta sexta-feira (27/10).
Como mostrou o Metrópoles, um comunicado interno divulgado pela Pró-Reitoria de Graduação na última terça-feira (24/10) aponta que os estudantes não atingirão o percentual mínimo de frequência para serem aprovados caso a greve continue até a próxima semana.
Com isso, mais de 12 mil alunos da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) e da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), que seguem paralisadas, correm o risco de perder o semestre. No caso dos calouros, a reprovação causaria ainda a perda da vaga na USP.
A medida foi encarada pelos estudantes como uma forma de intimidação para que eles encerrem a greve, que já dura cinco semanas.
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Protesto de estudantes em frente à reitoria da universidade; alunos pedem a contratação de mais professores
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Estudantes levaram cartazes para protestar por mais professores na universidade
Jéssica Bernardo/Metrópoles
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Alunos fizeram protesto durante as reuniões de negociação entre reitoria e alunos grevistas
Jéssica Bernardo/Metrópoles
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Protesto de estudantes em frente à reitoria da universidade; alunos pedem a contratação de mais professores
Jéssica Bernardo/Metrópoles
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Prédio da Reitoria da USP com cartazes de protesto de estudantes, que pedem a contratação de mais professores
Jéssica Bernardo/Metrópoles
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Grade arrancada do espaço de convivência estudantil da ECA, na USP, durante protesto de estudantes contra a falta de professores
Jéssica Bernardo/Metrópoles
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Aluno caminha em direção ao prédio da ECA, na USP; estudantes estão em greve e pedem a contratação de mais professores
Jéssica Bernardo/Metrópoles
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Entrada da FFLCH, da USP, com cartazes relacionados à greve dos estudantes, que protestam contra a falta de estudantes
Jéssica Bernardo/Metrópoles
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Nesta sexta, no entanto, o reitor da universidade afirmou que as unidades poderão “realizar adaptações de conteúdo” nas disciplinas, o que tornaria possível que os estudantes cumpram a frequência mínima exigida para aprovação no semestre, segundo Carlotti.
“Caberá a cada docente, em consonância com sua Unidade, consolidar a frequência dos estudantes no semestre, levando em consideração as situações específicas. Portanto, com a volta às aulas, não há risco de que alunas e alunos, especialmente do primeiro ano, venham a ser prejudicados”, diz o reitor.
Também nesta sexta, os diretores das faculdades da USP divulgaram uma nota em que afirmam que têm se esforçado para “planejar o andamento das atividades, garantindo a qualidade acadêmica e respeitando a diversidade das disciplinas e cursos oferecidos”.
Os diretores afirmam que a nota da reitoria reafirma a autonomia das unidades para decidir sobre as questões de avaliação e frequência no período de paralisação.
“Sendo assim, temos total segurança e seguiremos atuando nas tratativas com os alunos para assegurar a conclusão do semestre letivo da forma mais adequada”, diz o texto publicado pelos diretores.
Protesto contra reprovações
Na tarde desta quinta-feira (26/10), um grupo de estudantes fez uma manifestação ao redor da reitoria contra o comunicado que anunciava a possibilidade de reprovação dos grevistas por falta.
Alguns alunos também entraram no prédio da administração central, localizado próximo à moradia estudantil da Cidade Universitária, em protesto contra a medida. Os estudantes continuavam no prédio até a publicação desta reportagem.
Uma aluna afirmou ao Metrópoles que a ocupação do prédio não foi votada em assembleia, diferentemente das outras decisões tomadas na greve até o momento.
Na noite desta sexta, os alunos votaram pela continuidade da paralisação. Entre as reivindicações do grupo estão a contratação de mais professores, a ampliação de bolsas de permanência e a construção de quatro novos prédios da EACH.
