No 35º dia desde a escalada do conflito entre Israel e o Hamas, o grupo que será repatriado pelo Brasil se prepara para deixar a Faixa de Gaza, por meio da passagem de Rafah. Em território brasileiro, o governo prepara a logística para a recepção prevista para este fim de semana.
O governo de Israel assegurou ao Itamaraty que os 34 nomes à espera de repatriação serão incluídos na lista desta sexta-feira (10/11). Em contato telefônico nessa quinta (9/11), o ministro das Relações Exteriores israelense, Eli Cohen, confirmou ao chanceler brasileiro, Mauro Vieira, a autorização.
O grupo deve desembarcar na Base Aérea de Brasília, assim como ocorreu com parte dos repatriados vindos de Israel e da Cisjordânia. Como mostrou a coluna de Guilherme Amado, do Metrópoles, na capital federal, os brasileiros e familiares devem ser atendidos por diversas agências da Organização das Nações Unidas (ONU) e órgãos do governo brasileiro.
A passagem de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, tem recebido estrangeiros e palestinos feridos desde 1º de novembro. No entanto, apenas têm autorização para cruzar a fronteira aquelas pessoas cujos nomes constam em uma lista elaborada por autoridades do Egito e de Israel — ela é divulgada a cada dia.
O representante do Estado de Israel explicou a Mauro Vieira que a promessa de que os brasileiros sairiam da Faixa de Gaza na quarta (8/11) não pode ser cumprida em razão de fechamentos não previstos da fronteira de Rafah.
As interrupções ocorreram em três dias: sábado (4/11), domingo (5/11) e quarta (8/11). Após o mais recente fechamento, que se deu por motivos de segurança, a passagem voltou a ser liberada nessa quinta-feira (9/11), mas sem nova lista de nomes.
Fumaça e chamas sobem em Gaza, que são vistas da cidade de Sderot enquanto os ataques aéreos israelenses continuam
Fumaça e chamas sobem em Gaza, que são vistas da cidade de Sderot enquanto os ataques aéreos israelenses continuam
Mostafa Alkharouf/Anadolu via Getty Images
Os ataques israelenses a Gaza continuam
Fogo e fumaça sobre Gaza após ataques promovidos pelas Forças de Defesa de Israel
Ali Jadallah/Anadolu via Getty Images
Fumaça após bombardeio na Faixa de Gaza
Forças de Defesa de Israel promovem bombardeios em retaliação a ataques do Hamas
Christopher Furlong/Getty Images
Pessoas em volta de destruição na Faixa de Gaza
Rastro de destruição se espalha pela Faixa de Gaza
Ashraf Amra/Anadolu via Getty Images
Fumaça após bombardeio na Faixa de Gaza
Bombardeios seguem ocorrendo na Faixa de Gaza
Abed Rahim Khatib/Anadolu via Getty Images
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Saída de Gaza
Na Faixa de Gaza, há 34 brasileiros e familiares próximos que solicitaram repatriação para o governo brasileiro. O grupo está dividido entre duas cidades palestinas: 18 na cidade fronteiriça de Rafah, que liga a Faixa de Gaza ao Egito; e 16 em Khan Yunis, a 10 km da passagem.
O Metrópoles apurou que a Força Aérea Brasileira (FAB) foi informada, via governo federal, que há autorização para liberação dos brasileiros que estão na Faixa de Gaza. O grupo será resgatado pelo avião VC-2, cedido pela Presidência da República, que está no Egito.
Há expectativa de que a aeronave se dirija ao aeroporto de Al Arish, mais próximo da Faixa de Gaza. A missão deve ter roteiro parecido com a missão que resgatou 32 pessoas da Cisjordânia, com uma aeronave do mesmo modelo. Assim, antes de pousar na capital federal, devem ser feitas três paradas técnicas: uma na Itália; a segunda na Espanha; e a terceira em Pernambuco.
A Operação Voltando em Paz, do governo federal, que resgata brasileiros no Oriente Médio desde a escalada do conflito entre Israel e o Hamas, repatriou 1.445 pessoas e 53 pets, vindos de Israel e da Cisjordânia.
Conflito acirrado
Até o momento, a guerra resultou em cerca de 11,9 mil mortos, somados ambos os lados. Em Israel, foram 1,4 mil óbitos, enquanto, do lado palestino, 10,5 mil mortes. Além disso, diante do cerco promovido à região, a população da Faixa de Gaza segue imersa em uma crise humanitária.
Nessa quinta-feira (9/11), o porta-voz do Conselho Nacional de Segurança dos Estados Unidos (EUA), John Kirby, anunciou que o governo de Israel concordou em adotar pausas humanitárias nos ataques ao norte da Faixa de Gaza. A medida, no entanto, limita-se a quatro horas por dia.
De acordo com o representante do governo norte-americano, o objetivo é permitir a remoção de civis, libertação de reféns e o recebimento de ajuda material. Essas pausas serão avisadas com ao menos três horas de antecedência.
“Fomos informados pelos israelenses de que não haverá operações militares nessas áreas durante a pausa, e esse processo está começando hoje [quinta-feira (9/11)]”, afirmou Kirby, segundo a agência Al-Jazeera.
Há dias, a implementação da dinâmica de interrupção do conflito era negociada pelo governo dos Estados Unidos com os israelenses. Na segunda-feira (6/11), o presidente dos EUA, Joe Biden, telefonou para o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a fim de discutir a adoção de “pausas táticas” no conflito.
De acordo com comunicado da Casa Branca, a medida seria uma forma de garantir aos civis de Gaza a oportunidade de saírem das áreas de conflito, liberar o acesso à ajuda humanitária e possibilitar potenciais libertações de reféns sob poder do Hamas.
Também nesta semana, o G7, grupo formado por sete potências industriais do mundo, se posicionou em prol da adoção de pausas humanitárias. Comunicado dessa quarta (8/11) condenou os ataques do Hamas em 7 de outubro e destacou o direito de Israel de se defender, mas reivindicou a proteção dos civis palestinos.
“Salientamos a necessidade de medidas urgentes para enfrentar a deterioração da crise humanitária em Gaza. Todas as partes devem permitir o apoio humanitário sem entraves aos civis, incluindo alimentos, água, cuidados médicos, combustível e abrigo, além de acesso aos trabalhadores humanitários”, diz o comunicado.
Tentativas de paz
Embora o governo norte-americano tenha tido protagonismo na negociação que resultou na adoção de pausas humanitárias no conflito, os esforços pela adoção da medida, ou mesmo de um cessar-fogo imediato, têm sido compartilhados entre diversos agentes da comunidade internacional.
O Conselho de Segurança da ONU, por exemplo, votou uma resolução proposta pelo Brasil, que previa a adoção de pausas humanitárias. O texto, apesar de garantir maioria dos votos, acabou vetado pela delegação norte-americana, por não fazer menção direta ao direito de autodefesa de Israel.
Uma resolução proposta pelos Estados Unidos, que continha o mesmo mecanismo, teve fim semelhante, após receber veto da China e da Rússia. Além dessas propostas, o colegiado apreciou outras duas minutas propostas pela delegação russa, mas que não foram aprovadas.
Diante da falta de consenso do colegiado, a Assembleia Geral da ONU aprovou, no fim de outubro, uma resolução que pedia trégua humanitária em Gaza. O texto, porém, tem caráter apenas recomendatório. Em reação, o governo de Israel classificou o apelo como “desprezível”.
