O grupo de brasileiros acompanhado pelo Governo Federal que aguardava permissão de autoridades do Egito, de Israel e da Palestina cruzou a fronteira entre Gaza e Egito, no Portal de Rafah, na madrugada deste domingo (12/11) — horário de Brasília. Em postagem nas mídias sociais, o Palácio do Itamaraty comunicou que 32 brasileiros e parentes (foto em destaque) entraram em território egípcio por volta das 5h40, onde foram recebidos pela embaixada brasileira no Cairo, “responsável pela etapa final da operação de repatriação”.
A previsão é de que o grupo chegue ao Brasil na segunda-feira (13/11). “Duas pessoas do grupo que constava da lista original, de 34 nomes, desistiram da repatriação e decidiram permanecer em Gaza”, completou o Itamaraty. Também pelas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou a operação: “Os brasileiros atravessaram a fronteira e se encontram no Egito, de onde virão, em segurança, para o Brasil, na Operação Voltando em Paz”.
Após cruzar a fronteira, o grupo embarca em um ônibus fretado pelo Governo Federal. Depois, seguem a um aeroporto designado pelo Egito. A aeronave VC2, da Presidência da República, aguarda o grupo para iniciar o 10º voo de repatriação de brasileiros desde a escalada da crise na região do Oriente Médio.
Quando a aeronave chegar a Brasília, a Operação Voltando em Paz terá transportado 1.477 passageiros, além de 53 animais de estimação. Três aeronaves da Força Aérea Brasileira e duas da Presidência da República operaram nas atividades de repatriação.
“Bom dia, gente: a gente chegou na fronteira. Daqui a pouco vamos para o lado do Egito. Rezem por nós”, afirmou Hasan Rabee, num vídeo que gravou instantes antes de concretizar a saída. “Estamos saindo da Palestina e indo para o Egito. Esse é o caminho para o Egito. Não falta muita coisa. Um segundo, um minuto”, completou Hasan num outro vídeo, já dentro de um ônibus entre o Portão de Rafah e o lado egípcio. “Já estão chamando os nossos nomes. Tenho o papel da saída agora”, celebrou Shahed Al-Banna, jovem 18 anos que integra o grupo. Os dois se tornaram figuras conhecidas dos brasileiros por gravarem diariamente vídeos relatando a rotina de ansiedade e de restrições impostas pela guerra na Faixa de Gaza.
Na chegada ao Brasil, o Governo Federal já tem uma operação de acolhimento montada. Em complemento ao apoio que terão de suas famílias no Brasil, eles terão à disposição serviços de abrigo, documentação e alimentação, além de apoio psicológico, cuidados médicos e imunização. Ficarão dois dias hospedados em Brasília.
“Alguns brasileiros já têm destino certo porque têm familiares aqui, então serão deslocados para esses locais. Uma parcela significativa, quase a metade do grupo, não tem onde ficar, mas o Governo Federal já disponibilizou, através do Ministério do Desenvolvimento Social, um local onde essas pessoas ficarão acolhidas. Vai ser no interior de São Paulo”, afirmou Augusto de Arruda Botelho, secretário nacional de Justiça do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Augusto de Arruda Botelho
Segundo ele, não há prazo específico para o atendimento que será fornecido pelo Governo Federal aos repatriados. “Estamos preparados para o tempo que for necessário, para que essas pessoas possam se integrar ao nosso país. Não há prazo limite fixado. Estamos prontos para recebê-los da melhor forma. Eles ficarão em um local com longa experiência de acolhimento de refugiados da forma mais completa, mais digna, sem prazo”, concluiu.
Durante o período em Gaza, os brasileiros tiveram acompanhamento diário da diplomacia brasileira. Receberam recursos para garantir alimentação, água potável, gás de cozinha e medicamentos, tiveram acesso a atendimento médico e psicológico de forma online. Além disso, foram estabelecidos em residências alugadas pelo Governo Federal em Khan Yunis e Rafah e fizeram deslocamentos seguros em ônibus fretados pela representação brasileira em Ramala. Tanto os veículos quanto os imóveis eram identificados e informados às autoridades de Gaza e de Israel para evitar bombardeios.
Por meio de aplicativos WhatsApp, os diplomatas brasileiros mantinham contatos diários com o grupo para identificar necessidades e garantir, dentro da realidade de uma zona conflagrada, que todos estivessem nas melhores condições até que o cruzamento da fronteira fosse autorizado pelas autoridades.
O trabalho do Governo Federal exigiu intensa articulação da diplomacia nacional e envolvimento direto do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na quinta-feira, 9/11, por exemplo, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, teve o quarto contato telefônico com o ministro das Relações Exteriores de Israel, Eli Cohen, para garantir a presença dos nomes dos brasileiros nas listas de saída de estrangeiros.
O presidente Lula, desde o início do conflito, com um atentado terrorista executado pelo Hamas em 7 de outubro, manteve intensas tratativas. Condenou veementemente os ataques, exigiu a liberação de reféns israelenses e, diante da guerra estabelecida na região na sequência, atuou para garantir ajuda humanitária, por negociar uma possibilidade de cessar-fogo e para permitir a abertura da fronteira para o retorno dos brasileiros.
Lula teve diálogos por telefone com dirigentes dos Emirados Árabes Unidos, de Israel, da Palestina, do Egito, da França, da Rússia, da Turquia, do Irã, do Catar e do Conselho Europeu. Também conversou com os brasileiros em Gaza e com parentes de civis israelenses sequestrados pelo Hamas. O Brasil também presidiu em outubro o Conselho de Segurança da ONU e atuou de forma reiterada para tentar aprovar uma resolução consensual que ajude a levar ao diálogo e à paz na região.
Com informações da Presidência da Repúplica
