A operação da Polícia Federal que aponta um esquema de espionagem ilegal durante o governo Bolsonaro deve elevar a pressão pela saída do diretor-adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alessandro Moretti.
Ministros do governo Lula recordam que o nome de Moretti sofreu resistência por conta da ligação dele com o ex-ministro da Justiça Anderson Torres. Moretti foi secretário-executivo da Segurança Pública, quando Torres comandava a pasta no Distrito Federal, entre 2019 e 2020. Depois, Moretti assumiu a Diretoria de Inteligência da Polícia Federal.
No período de campanha presidencial, o servidor chegou a travar embates com o atual Diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em meio a uma discussão sobre a segurança do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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A indicação dele para Abin gerou mal-estar na cúpula da PF e receio de que pudesse comprometer o diálogo da Abin com a corporação. Além disso, a nomeação pegou Rodrigues de surpresa, segundo interlocutores. O delegado disse a aliados que, se tivesse sido consultado, não teria cedido o policial para ocupar o novo cargo.
No Senado, o presidente da Comissão de Relações Exteriores, senador Renan Calheiros (MDB-AL), tentou segurar sabatina de Luiz Fernando Corrêa para direção da Abin para pressioná-lo a desistir da escolha de Moretti.
O receio de integrantes da base aliada era que a Abin fosse transformada em um “segundo GSI”, com a estrutura tomada por bolsonaristas. A pauta só foi destravada a pedido de Lula. Corrêa teria pedido pessoalmente ao presidente um voto de confiança a Moretti.
VÍDEO: Deputados de comissão que fiscaliza Abin falam sobre operação da PF
Este conteúdo foi originalmente publicado em Operação contra espionagem aumenta pressão por saída de diretor-adjunto no site CNN Brasil.
