O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) afirmou que a Warren, corretora com 300 mil clientes, falhou no seu serviço ao fazer um depósito por engano para um cliente e não conseguir determinar o saldo da conta. A decisão, que envolve um depósito de R$ 225 mil por engano, foi publicada no mês passado.
Em março do ano passado, a Warren alegou ao TJSP que havia transferido R$ 225 mil por engano à conta de um empresário de São Paulo, que sacou todo o valor. A empresa citou uma “pontual falha operacional” e pediu que a Justiça ordenasse a devolução do dinheiro.
O empresário deu outra versão. Disse que percebia uma “bagunça” na sua conta de investimento, e que questionou por diversas vezes um dos sócios da empresa sobre essas discrepâncias de valores. Segundo o cliente, a Warren não comprovou o erro desse depósito.
“Começou a perceber uma verdadeira bagunça em relação aos valores constantes em sua conta de investimento”, afirmou o empresário, acrescentando: “Por diversas vezes, ficou literalmente sem saber quanto efetivamente tinha disponível”.
Em uma das conversas com um sócio da Warren, o empresário relatou ter receio de que seu dinheiro desaparecesse. “Estou pensando em fechar a conta pela insegurança nos números. Tenho receio de que suma dinheiro da minha conta”, afirmou em março de 2021, um ano antes do episódio que foi parar nos tribunais.
Na primeira instância, em agosto, a Justiça aceitou o pedido da corretora, e ordenou que o empresário devolvesse os R$ 225 mil sacados. No mês passado, contudo, essa decisão foi anulada. O relator do caso, desembargador Costa Wagner, citou diversas falhas no sistema da Warren e apontou que a empresa não sabia o saldo exato da conta do cliente.
De acordo com o magistrado da 34ª Câmara de Direito Privado do TJSP, a Warren “cometeu outros erros anteriores e, em duas datas (21/12/2020 e 22/02/2021), estava faltando na conta do cliente R$ 153,6 mil. [….] Teve outro incidente e estava faltando R$ 89,5 mil”, escreveu, completando: “Não se trata de um pontual equívoco operacional”.
Procurada, a Warren afirmou: “A Warren trata o caso com o mais estrito sigilo e, desta forma, não comenta processos judiciais que envolvam a empresa. Em relação ao caso, a instituição acredita plenamente no Poder Judiciário para a resolução favorável do caso, colaborando com o que é de sua alçada”.
